No país que mais realiza cirurgias plásticas no mundo, a disputa deixou de ser sobre operar e passou a ser sobre como operar. A cirurgiã plástica Júlia Melo aposta na Preservé, técnica de implantes de nova geração que reduz o corte, preserva tecido e encurta a recuperação, um deslocamento de valor que conversa direto com quem não pode parar por semanas.
O Brasil é o país que mais opera no mundo. Em 2024, foram cerca de 2,35 milhões de cirurgias plásticas estéticas, número que colocou o país em primeiro lugar global em procedimentos cirúrgicos e em segundo no ranking total, atrás dos Estados Unidos, quando se somam os procedimentos não cirúrgicos, segundo dados da ISAPS avaliados em 2025. Dentro desse volume, o aumento de mama é o segundo procedimento cirúrgico mais realizado no país, com 232.593 intervenções, atrás apenas da lipoaspiração.
Num mercado desse tamanho e dessa maturidade, o diferencial competitivo migra de lugar. Não basta mais oferecer a cirurgia; o valor passa a estar em como ela é feita: quanto corte exige, quanto tempo de recuperação consome, quanto trauma deixa. É nesse ponto que se encaixa a aposta da cirurgiã plástica Júlia Melo, referência em cirurgia de mama em Belo Horizonte.
Menos corte, menos trauma
A Preservé é uma técnica da Motiva voltada ao aumento mamário com o que a Dra. Júlia Melo descreve como abordagem menos invasiva e foco em preservar os tecidos naturais da mama. Segundo a médica, o método trabalha com um acesso discreto de cerca de 2 centímetros, descolamento mínimo, que mantém ligamentos e sensibilidade, e dispensa o uso de eletrocautério, o que, na descrição dela, reduz o dano térmico e favorece a cicatrização.
A cirurgia aponta ainda que, em casos de aumento primário, o procedimento pode ser feito sem anestesia geral, e associa a técnica a uma recuperação mais rápida e menor dor. Para mastopexia, ela cita uma redução de até 40 minutos no tempo cirúrgico. São afirmações da própria médica sobre sua prática, ancoradas na proposta da técnica.
O público que ela associa a esse tipo de procedimento é revelador do apelo econômico: além de quem busca naturalidade e retorno rápido, a médica menciona mulheres ativas e atletas que querem evitar a manipulação muscular. É o perfil de paciente para quem o tempo parado tem custo, profissionais que não podem simplesmente sumir da rotina por semanas.
A conta da paciente jovem
Há um movimento que a Dra. Júlia Melo observa na própria agenda: as mulheres estão colocando prótese cada vez mais cedo. E é justamente para esse público que ela vê o maior sentido na preservação de tecido. A lógica é de longo prazo: quem opera aos vinte e poucos anos vai conviver com aquela mama por décadas, incluindo uma possível gestação e amamentação pela frente.
Segundo a médica, preservar o tecido e a estrutura da mama é mais estratégico para o futuro. Se a paciente precisar trocar a prótese de plano adiante, diz ela, a preservação deixa mais opções abertas.
Esse cuidado se traduz também na recuperação, que ela descreve como quase indolor. “No outro dia já pode dirigir, pentear o cabelo sozinha, voltar ao dia a dia. Com quinze dias ela já está fazendo atividade física”, resume, sempre lembrando que se trata de próteses pequenas, condição que torna esse ritmo possível.
A tecnologia por trás da técnica
O que sustenta a Preservé, além da técnica cirúrgica, é a plataforma de implantes da Motiva, marca da Establishment Labs. A empresa, fundada em 2013 e sediada na Costa Rica, é de capital aberto na Nasdaq desde 2018, sob o ticker ESTA, e foi a primeira companhia de tecnologia médica do país a chegar à bolsa americana. Seus implantes têm aprovação da FDA para indicação de aumento nos Estados Unidos.
Do ponto de vista de dados, o que interessa a um leitor acostumado a avaliar risco, os números de ensaios do fabricante e a literatura revisada por pares reportam para os implantes Motiva taxa de contratura capsular abaixo de 1%, ruptura de 0,6% em aumento primário, ausência de casos registrados de BIA-ALCL e satisfação em torno de 97% em cinco anos, conforme dados sintetizados a partir de estudos publicados e do Summary of Safety and Effectiveness Data da FDA (Food and Drug Administration), entre 2024 e 2025. A superfície nanotexturizada da linha, batizada de SmoothSilk e classificada pela Motiva como de nova geração, foi objeto de estudo publicado na Nature Biomedical Engineering em 2021, que apontou baixa resposta inflamatória em comparação com outras superfícies testadas.
O deslocamento do valor
A leitura de mercado é que dá a esse movimento uma dimensão além da estética. Instituições do setor já tratam recuperação acelerada e menor invasividade como tendência. A Sociedade Americana de Cirurgiões Plásticos citou os novos implantes Motiva aprovados pela FDA entre as inovações que seguiram repercutindo, e a imprensa econômica brasileira registrou em 2025 o avanço de cirurgias menos invasivas como movimento de fundo.
Para a Dra. Júlia Melo, oferecer uma técnica como a Preservé é operar na fronteira dessa mudança. Num país que já lidera o mundo em número de cirurgias, competir por volume perde sentido. A diferenciação, agora, está em entregar o mesmo resultado com menos corte, menos afastamento e mais discrição, transformando o “como” da cirurgia no verdadeiro vetor de valor.